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Pesquisa inédita com uso de células-tronco para tratamento da Covid-19 deve chegar ao RSPesquisa inédita com uso de células-tronco para tratamento da Covid-19 deve chegar ao RS

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Publicado em 29/06/2020, Por Correio do Povo

Na segunda fase da pesquisa, os estudos serão ampliados para os estados Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, além do Paraná.

 

Uma pesquisa inédita no Brasil com o uso de células-tronco no tratamento de pacientes com a Covid-19 está sendo executada no Paraná. O estudo, realizado por pesquisadores da da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) e do Instituto Carlos Chagas da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (ICC/Fiocruz Paraná), deverá chegar ao Rio Grande do Sul.

Conforme o coordenador do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR e um dos responsáveis pelo projeto, Paulo Brofman, a primeira etapa da pesquisa será realizada em Curitiba e contará com a participação de 15 pacientes. Na segunda fase, que envolverá 60 pacientes com a Covid-19, os estudos serão ampliados para os estados Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, além do Paraná.

 

Eficácia de células-tronco mesenquimais

O objetivo do projeto, conforme Brofman, é avaliar a eficácia de células-tronco mesenquimais (CTMs) derivadas do tecido do cordão umbilical (TCU) no tratamento de pessoas com síndrome respiratória aguda grave decorrente do SARS-CoV-2 (novo coronavírus). 

Os pesquisadores do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR (CTC-PUCPR) são responsáveis pela coleta dos cordões umbilicais, preparação das células e controle de qualidade do material. As equipes do CHC-UFPR farão a seleção dos pacientes, a infusão das células e o acompanhamento clínico, enquanto no ICC/Fiocruz Paraná serão feitas as análises de citocinas e de carga viral.

"Baseado em experiência que temos usando as CTMs no tratamento de outras doenças inflamatórias, aprendemos que essas células têm o poder de causar uma imunidade e diminuir essa reação inflamatória, conforme a sua propriedade. Elas modulam a reação inflamatória, diminuindo a intensidade daquela tempestade de citocina, ou seja, diminuindo aquilo que está agredindo o pulmão e transformando ele em uma hiper inflamação", explicou Brofman.

Segundo ele, as CTMs reparam a membrana pulmonar e permitem que o sangue passe a ter uma oxigenação melhor, funcionamento que é afetado pela ação da Covid-19.

Brofman ainda detalhou que o vírus ataca o nosso organismo através de uma proteína específica presente na superfície das células e, através desse contato, ocorre a contaminação e posteriormente a explosão daquela célula, contaminando todas as outras. "A célula tronco não tem essa proteína na superfície, então o vírus não a agride", reiterou.

O primeiro paciente foi selecionado no dia 12 de junho e, no total, serão 15 nesta primeira fase. Segundo Brofman, diversos indicadores serão analisados pelos pesquisadores, como período de internação nas UTIs, tempo em que o paciente ficou entubado, tempo hospitalar em geral, entre outros. "É um estudo que está nos ensinando muito sobre a ação anti-inflamatória das células tronco", reforçou.

Os pacientes serão acompanhados por quatro meses. Já existem, conforme Brofman, pelo menos 31 pesquisas em outros países a respeito do uso de células tronco no tratamento da Covid-19. Estes estudos mostraram que trata-se de um procedimento seguro.

Não há previsão para o início da segunda etapa da pesquisa, na qual serão envolvidos 60 pacientes, pois, segundo Brofman, as instituições ainda aguardam a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a liberação de financiamento pelo Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A principal intenção da pesquisa, de acordo com Brofman, é minimizar a inflamação que ocorre no pulmão dos pacientes, assim reduzindo o período de internação, amenizando possíveis sequelas e possivelmente influenciar na diminuição da mortalidade.

 

(FOTO: DIVULGAÇÃO / PUCPR / VIA CP)





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